
Depois de quase dois anos após a nave Radiohead pousar em terras brasileiras, e curtir uma das bandas mais híbridas de meus parcos ouvidos, eis que me ponho a ouvir o novo álbum do grupo liderado por Tom Yorke, o já estranho “The King of Limbs” (2011). No primeiro momento, pensei que se tratava de um “Limbo”, literalmente, que significa um lugar além do Céu Cristão, privado dos olhos de Deus, mas repleto de felicidade e eterna graça. Mas não. Traduz-se como “O rei dos ‘membros’”. Bom, pelo menos isso nos traz um ar de estranheza no novo álbum. O fato de recorrer ao Limbo se dá na lembrança do livro “A divina Comédia” de Dante, já que é no Limbo que observamos o encontro entre o autor Renascentista e o poeta Virgílio, num lugar estranho, mas repleto de autores e pensadores da antiguidade, como Homero e Aristóteles.
Blá, blá, blá de café filosófico à parte, o singelo álbum nos traz a ideia de conflito, pois as oito faixas do referido disco parece ser uma constante penitência em prol do paraíso, ou do inferno.
Tomei um “choque auditivo” ao ouvir as quatro primeiras músicas, mas me aliviei depois da quinta faixa “carro-chefe”: “Lotus Flower”. Parece realmente o caminho de Dante em busca do paraíso, passando pelo inferno e purgatório. Seria uma mudança constante no Radiohead?
Quando os caras disseram que entrariam em estúdio para gravar novo disco, apelei para o meu lado saudosista de sempre e esperei que ouvisse algo como “OK Computer” ou até um “The Bends”. Ledo engano. A saga do álbum “In Rainbows”, com batidas esquizofrênicas e letras furiosas “tecnopópicas” continuam a todo vapor, só que mais introspectivas do que nunca.
Também se observa que a palavra “Limbs” me lembra “Limbo”, pois esta palavra também é associada a uma dança intuitiva em que você passa debaixo de um bastão suspenso, no famoso refrão, “até o chão” (creio que todo mundo já brincou disso). Talvez seja esse o caso do novo disco dos caras: “membros”, dança? Bom, eu ainda não tentei dançar ao estilo “Limbo” de ser. Contudo, em se tratando de uma turma indie de plantão, o melhor é ouvir com o liquidificador ligado, ou melhor, movimentando os membros. Só assim você entende a musicalidade atingida pela notável banda inglesa.
